SER MULHER NOS ÚLTIMOS CEM ANOS
Segmento: Ensino Fundamental II (EJA); Ensino Médio (EJA)
Habilidade BNCC (principal):
(EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias, ampliando suas possibilidades de explicação, interpretação e intervenção crítica da/na realidade.
(EF09HI08) Identificar as transformações ocorridas no debate sobre as questões da diversidade no Brasil durante o século XX e compreender o significado das mudanças de abordagem em relação ao tema.
OBJETIVOS
- Comparar as descrições da personagem Mademoiselle Cinema com a publicidade de revistas cariocas dos anos 1920, reconhecendo o reforço a estereótipos diversos de gênero.
- Debater a importância de mulheres serem representadas por escritoras do gênero feminino, a exemplo de Júlia Lopes de Almeida, Gilka Machado e Cecília Meireles.
- Pesquisar e apresentar para a turma trechos de obras de outras escritoras e artistas.
- Discutir as mudanças nos padrões de beleza e comportamentos femininos, a partir das experiências individuais e de um olhar sobre a diversidade e o protagonismo femininos.
METODOLOGIA
Apresentações, Debate, Exposição do tema, Pesquisa.
DESCRIÇÃO DA AULA
Introdução (10 min)
- A oficina inicia-se com uma discussão sobre a mulher que surgia nas primeiras décadas do século XX, a partir de intercâmbios com outros países e de informações de revistas e filmes.
- Serão apresentadas descrições da protagonista de Mademoiselle Cinema (1923), de Benjamim Costallat, e peças publicitárias publicadas em revistas cariocas da década de 1920, para serem analisadas, a partir de estereótipos e discriminações de gênero. Enquanto no livro Mademoiselle Cinema é descrita como uma mulher “indigna”, pelo fato de se relacionar com diferentes homens, as propagandas destacam a beleza “impecável” da mulher, incentivando produtos para se combater o envelhecimento, valorizando o “embranquecimento” e classificando as mulheres como “nervosas”.
- A partir da análise dos textos e imagens, é interessante dar início a um breve debate sobre a relação das mulheres com as imagens em circulação na mídia e na literatura, por exemplo. Pode-se abordar questões como: “De que maneira vemos textos e imagens circularem hoje sobre as mulheres?”, “Como esses discursos atuam na relação das mulheres com seus corpos?”.
Desenvolvimento (20 min)
- O debate será um ponto de partida para uma breve apresentação sobre a trajetória das seguintes escritoras do início do século XX:
-
- Júlia Lopes de Almeida (1862-1934): Com uma obra vasta, que inclui livros e textos para literatura (adulta e infantil), jornalismo e teatro, a escritora havia participado da Legião da Mulher Brasileira e defendeu o abolicionismo, mas defendia a importância da família tradicional. Embora tenha sido considerada para integrar a Academia Brasileira de Letras em seu surgimento, seu nome foi recusado, pelo fato de ser mulher. Em seu lugar, entrou na ABL o próprio marido, o escritor português Filinto de Almeida. A apresentação em anexo destaca um trecho de um artigo na revista A mensageira (1897), no qual ela lamenta o papel reduzido da mulher para satisfazer o marido e a família.
-
- Gilka Machado: Aos 13 anos, a poeta conquistou os três primeiros lugares em um concurso de poesias do jornal A Imprensa. Anos mais tarde, depois da morte do marido, trabalhou como diarista da Central do Brasil e tornou-se dona de uma pensão. Foi uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino (em 1910), que defendia o direito das mulheres ao voto. Ao longo da vida, conviveu com a consagração como poeta, mas também com críticas duras, relacionadas ao teor erótico de suas obras. A apresentação em anexo inclui um trecho do poema “Ser mulher”, publicado em seu primeiro livro, Cristais partidos (1915). O texto reivindica uma feminilidade que merece prazer e independência.
-
- Cecília Meireles: Uma das mais importantes escritoras e tradutoras brasileiras, criou obras nos mais diversos gêneros. Com a abordagem de grandes temas, como a infância e a morte, destacam-se em seus textos o lirismo, a musicalidade e a preocupação com a técnica e o equilíbrio. Defendeu um sistema educacional mais moderno, com educação laica e gratuita para todos. Foi a primeira escritora do gênero feminino a ser agraciada com o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras (1939). Na apresentação em anexo, exibe-se um trecho do poema “Lua adversa”, em que a escritora valoriza seus diferentes momentos, incluindo a fase de estar sozinha.
[Obs.: Se a oficina for realizada no município do Rio de Janeiro, vale destacar que as três escritoras nasceram na capital do Estado.]
- A seguir, sugere-se retomar a discussão a partir da seguinte questão: “Qual é a importância de mulheres se reconhecerem a partir das suas próprias criações?”.
- Logo depois, a proposta é que os estudantes que selecionem textos e obras do que consideram “mulheres empoderadas”. É importante que se estimule a pesquisa por exemplos de diferentes épocas e gêneros.
[Obs.: A escolha é livre. Podem ser textos das redes sociais, poemas, canções etc.]
- Depois da seleção, os estudantes apresentam os resultados para a turma. A ideia é que se instigue uma investigação por escritoras, compositoras e pensadoras diversas, para que o grupo componha um panorama amplo de exemplos. Esse conjunto pode ser disposto nos murais ou circular, de forma planejada, pelas redes sociais da sala e/ou da instituição.
- É interessante analisar com a turma o conjunto das manifestações selecionadas, enfatizando as diferentes vozes, abordagens e estilos de cada obra apresentada.
Encerramento (10 min)
- Na Roda de Conversa, a ideia é incentivar os estudantes a refletirem sobre a seguinte questão: “O que é ser mulher hoje?”. Nesse momento, é interessante deixar a escuta aberta para histórias pessoais e estimular a participação também dos estudantes do gênero masculino.
- Como desdobramento da atividade, pode-se ampliar a atividade para o restante da instituição/organização de ensino, inclusive alimentando esse conjunto de exemplos de forma recorrente.
REFERÊNCIAS
BON, Olga; ROCHA, Everardo. Muitas mulheres, raras mulheres: representações do feminino nos anúncios dos anos 1920. Lumina – Revista do Programa de Pós-graduação em Comunicação, Juiz de Fora, PPGCOM – UFJF, v. 14, n. 3, p. 94-111, set./dez. 2020.
COSTALLAT, Benjamim. Mademoiselle Cinema. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 1999.
DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no Brasil. Estudos Avançados, 17(49), 151-172, 2003. Disponível em https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/ 9950. Acesso em 03 out. 2023.
FEIJÃO, Rosane. Moda e modernidade na Belle Époque carioca. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011.
GOTLIB, Nádia Battella. A literatura feita por mulheres do Brasil. In: BRANDÃO, Izabel; MUZART, Zahidé (orgs.). Refazendo nós. Florianópolis/Sta Cruz do Sul: Mulheres/Edunisc, 2004, p. 19-72.
MACHADO, Gilka. Poesia completa. 3a ed. São Paulo: Selo Demônio Negro, 2017.
MEIRELES, Cecília. Lua adversa. In: Poesia completa: vol. 2. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.
SANTOS, Fernanda Cássia dos. Censura moral e discursos sobre gênero nos primeiros anos da república: o caso de Mademoiselle Cinema, de Benjamim Costallat. Ártemis, v. XXI jan-jul 2016, p. 75-88.
