Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura apresentam

A HISTÓRIA DA GAROTA DO CINEMA

Segmento: Ensino Fundamental II (EJA); Ensino Médio (EJA)

Habilidade BNCC (principal):

(EF35LP25) Criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando detalhes descritivos, sequências de eventos e imagens apropriadas para sustentar o sentido do texto, e marcadores de tempo, espaço e de fala de personagens.

(EM13LGG603) Expressar-se e atuar em processos de criação autorais individuais e coletivos nas diferentes linguagens artísticas (artes visuais, audiovisual, dança, música e teatro) e nas intersecções entre elas, recorrendo a referências estéticas e culturais, conhecimentos de naturezas diversas (artísticos, históricos, sociais e políticos) e experiências individuais e coletivas.

OBJETIVOS

  • Conhecer as características gerais da protagonista do livro Mademoiselle Cinema (1923), de Benjamim Costallat.
  • Debater a trajetória de precursores do cinema e de algumas obras cinematográficas realizadas no ano de 1923.
  • Construir uma narrativa ficcional, a partir da relação entre mulheres e o cinema.
  • Refletir sobre as transformações do cinema nos próximos cem anos.

METODOLOGIA

Apresentações, Exposição do tema, Produção textual, Exibição de audiovisual.

DESCRIÇÃO DA AULA

Introdução (10 min)

  • A oficina inicia-se com uma breve introdução ao livro Mademoiselle Cinema (1923), de Benjamim Costallat, destacando o seu êxito de vendas e a protagonista ousada para os padrões da época, tanto na aparência física (com vestimentas decotadas e cabelos curtos), como nos relacionamentos fugazes que estabelecia com diferentes homens (ver apresentação em anexo).
  • Logo depois, a proposta é estimular a turma a debater o título do livro, a partir da seguinte questão: “Por que a protagonista se chamava Mademoiselle Cinema?”. Embora provavelmente os estudantes não tenham familiaridade com a obra, será interessante explorar o que o título incita na imaginação de cada participante.
  • Nos slides seguintes, serão exibidos trechos do livro, nos quais o personagem Fleta (um dos amantes da protagonista) revela que, de forma pejorativa, que a protagonista do livro teria essa alcunha (referente ao cinema), porque ambos seriam “falsos” e “artificiais”. Pode-se questionar qual é a posição da turma sobre esse olhar crítico sobre uma mulher de comportamento independente e sobre o próprio cinema.

Desenvolvimento (30 min)

  • Este será o ponto de partida para uma breve exposição sobre o início do cinema, a partir das seguintes obras:
    1. A saída dos operários da fábrica em Lyon (1895, 1 min), de Auguste e Louis Lumière. Considerado o primeiro filme exibido em público, é um dos grandes marcos do cinema, retratando a cena cotidiana que dá nome à obra.
    2. Viagem à lua (1902, 14 min), de Georges Méliès. Inspirada no livro Da Terra à Lua, de Julio Verne, o filme do ilusionista Méliés usou efeitos especiais de forma pioneira, ao narrar uma viagem surreal de astrônomos ao satélite.
    3. A fada do repolho (1896, 1 min), de Alice Guy-Blaché. Considerada a primeira obra de não-ficção do cinema, o filme conta a história de bebês que nascem dentro de repolhos. Pouco conhecida, a diretora tem sido resgatada nos últimos anos como uma das pioneiras do cinema, tendo dirigido mais de 1.000 filmes.
  • Para que os estudantes sejam introduzidos a um panorama do cinema há exatos cem anos, serão também apresentadas fotografias de obras de 1923, incluindo:
    1. O homem mosca (1923, 73 min), de Fred C. Newmeyer e Sam Taylor. O filme narra a história de um jovem que parte para a cidade grande e acaba se colocando em uma situação complicada quando tenta subir um edifício para ganhar uma premiação, em uma das cenas icônicas do cinema.
    2. O peregrino (1923, 59 min), de Charles Chaplin. A obra conta a história de um presidiário em fuga, que é confundido com um padre em uma pequena cidade.
    3. Alice no País das Maravilhas (1923, 12 min), de Walt Disney. O curta mostra a protagonista visitando o estúdio de animação e interagindo com os desenhos que saltam das telas.
    4. Aníbal quer casar (1923), de Luiz de Barros. A comédia é protagonizada por Procópio Ferreira, que busca uma esposa para tentar herdar uma fortuna.
    5. A canção da primavera (1923, 108 min), de Igino Bonfioli e Cyprien Segur. O filme conta a história do filho de um fazendeiro, que se vê entre o desejo do pai de arranjar um casamento para ele e uma paixão verdadeira.
    6. 1922 – A exposição da independência (1970, 15 min), de Roberto Kahané e Domingos Demasi. A obra é uma reconstituição do trabalho de Silvino Santos, que documentou a Exposição Internacional da Independência (1922-3), realizada no Rio de Janeiro.
  • Também será exibida a fotografia da atriz Carmen Santos, protagonista do filme Melle Cinema (1925), uma adaptação do livro, com direção de Leo Marten. As filmagens foram canceladas por causa de um incêndio no estúdio.
  • Depois de todos os exemplos, a proposta é que se incentive um debate com a seguinte questão: “Como seria o filme sobre uma Garota do Cinema hoje?”
  • Neste momento, inicia-se uma atividade em duplas. Cada dupla deve criar uma pequena história a partir do tema “A Garota do Cinema”.

[Obs.: Pode-se optar por um formato livre (contos, poemas, desenhos, roteiros, colagens, músicas etc.) ou propor uma criação mais direcionada.]

  • Cada grupo apresenta os resultados para o restante a turma, com abertura aos comentários dos estudantes sobre os trabalhos dos colegas.

Encerramento (10 min)

  • Na Roda de Conversa, a turma será incentivada a refletir sobre o desenvolvimento do cinema no próximo século, a partir da seguinte questão: “Como será o cinema daqui a mais cem anos?”.
  • Será interessante abordar temas como os novos formatos de audiovisual (por exemplo, interativos), a maneira como assistimos aos filmes (em streamings e/ou via aparelhos de celular), as transformações nos gêneros cinematográficos (cada vez mais híbridos), entre outros.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Bernardo. “Mademoiselle Cinema” é best-seller moralista. Folha de S.Paulo, Ilustrada, 09 de setembro de 1999. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq09099917.htm. Acesso em 24 out. 2023.

CASTRO, Ruy. Metrópole à beira-mar: o Rio moderno dos anos 1920. São Paulo: Companhia das Letras, 2019 [edição digital].

COSTALLAT, Benjamim. Mademoiselle Cinema. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 1999.

FRANÇA, Patrícia. Livros para os leitores: a atividade literária e editorial de Benjamim Costallat na década de 1920. Cadernos de História, v. X, p. 121-140, 2010.

O GLOBO. Alice Guy Blaché: conheça a primeira mulher cineasta da história, que há mais de 100 anos já questionava o sexismo (reportagem original do New York Times). O Globo, 3 nov. 2020. Disponível em https://oglobo.globo.com/celina/alice-guy-blache-conheca-primeira-mulher-cineasta-da-historia-que-ha-mais-de-100-anos-ja-questionava-sexismo-1-24722083. Acesso em 18 out. 2023.

RAMOS, Fernão; MIRANDA, Luiz Felipe Miranda (orgs.). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000.

RIO, João do. Cinematógrafo (crônicas cariocas). Rio de Janeiro: ABL, 2009.

SUSSEKIND, Flora. Cinematógrafo de letras: literatura, técnica e modernização no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

MATERIAL DA AULA

– pdf

CONSTRUINDO A HISTÓRIA DA GAROTA DO CINEMA

(apresentação de slides para aplicação da oficina)